Foi claramente um jogo muito difícil, sofrido, em que o Benfica venceu, mas de facto não esteve nos seus melhores dias, mas é fundamental conseguir ganhar quando não se joga bem e isso foi conseguido, obtendo-se assim 3 pontos importantes, pois os campeões também se fazem destes jogos.
BEIRA - MAR 0 BENFICA 1 - Depois de um grande jogo na Suíça, com o desgaste inerente, esperava-se hoje um jogo muito complicado em Aveiro, foi o que se viu, fruto não só do mérito do adversário, muito bem organizado sem que para isso tivesse de estacionar o autocarro, mas também fruto das muitas alterações no 11 do Benfica, algumas forçadas, outras na minha opinião desnecessárias. O Benfica até entrou forte no jogo, boa dinâmica ofensiva, Witsel em grande, a tomar as rédeas do meio campo, mas faltou sempre alguma velocidade no último terço do terreno e o último passe demorava muito a sair.
Sem Gaitan e Aimar, a equipa ficou órfã de capacidade de ruptura, Saviola tinha de recuar muito para buscar jogo e por isso, salvo uma ou outra excepção, jogava quase sempre de costas para a baliza, deixando depois Cardozo demasiado entregue aos centrais adversários.
Após 15 minutos agradáveis do Benfica, o Beira - Mar equilibrou e teve mesmo 2 ocasiões boas para marcar, valendo o desacerto na finalização, depois deu-se o equilíbrio, que só era rompido de quando vez fruto das acções de Witsel, claramente o melhor em campo, encheu o campo tanto a fazer de Javi, como de Aimar.
O jogo caminhava com as defesas a levarem a melhor sobre os ataques, quando um erro incrível de Rui Rego, que pontapeia a bola para trás em vez de a aliviar como pretendia, a colocou na cabeça de Cardozo, que sem dificuldade, inaugurou o marcador, quando já pouco faltava para o intervalo. Na 2ª parte, sinceramente esperava mais Benfica após o descanso, uma equipa a saber explorar possíveis espaços que o Beira - Mar iria dar, mas o que se viu à medida que o tempo avançava, foi um Benfica sem explosão, algo cansado, que fez com que o adversário acreditasse ser possível o empate.
Aliado a esse facto, um árbitro que a cada queda de um aveirense nas imediações da área do Benfica, assinalava sempre falta, com uma gritante dualidade de critérios, caso vários houve em que pela mesma situação, só marcava falta aos jogadores do Benfica e isso também condicionou e muito.
A verdade é que o Beira - Mar estava melhor no jogo, mas exceptuando uma situação em que Artur mais uma vez resolveu com mestria, a equipa aveirense colocou muita bola na área, mas quase não criava oportunidades, ante uma defesa do Benfica que dava muita liberdade nas laterais, mas tinha nos seus centrais 2 muros intransponiveis, com uma exibição fantástica.
Pode-se dizer que o empate seria um prémio merecido para os aveirenses, mas para bem do Benfica tal não aconteceu e o jogo terminou com os 3 pontos do lado do Benfica e são pontos assim conquistados que por vezes dão campeonatos, pois é de extrema importância numa prova longa como o campeonato, conseguir vencer quando não se joga bem e hoje foi o que aconteceu. De qualquer modo, dizer que esta equipa, apesar de tecnicamente não ter estado bem, lutou, mostrou humildade e espírito de entreajuda e isso também é de destacar.
Pela positiva: Witsel, com um jogo soberbo, encheu o campo, parecia estar em todo o lado, é de facto um jogador de eleição e a maciça presença de público benfiquista em Aveiro, simplesmente fantástico o apoio a equipa e ela bem que merece.
Pela negativa: Um Benfica que nunca conseguiu tomar conta do jogo, algo cansado e uma arbitragem demasiado habilidosa, sinceramente, não vejo marcar ao Porto faltas com a tremenda facilidade com que se marca ao Benfica.
Arbitragem de Paulo Baptista: Sem polémicas, é certo, não há casos daqueles que resolvem jogos, mas foi de uma dualidade de critérios gritante, faltas junto das áreas, só da do Benfica, chegou a ser enervante, é o que se chama de arbitragem habilidosa.
Para terminar, uma opinião pessoal, que não quero que seja encarada como um crítica feroz ao treinador, até porque o defendo com unhas e dentes e acho que foi o melhor que podia ter acontecido ao Benfica, sou um admirador confesso de Jorge Jesus e acho ridículas e de uma tremenda falta de coerência e inteligência certas coisas que ouço sobre ele, ainda por cima vinda de quem fez dele um Deus, ressalvo mesmo que ninguém melhor que ele para saber o estado dos seus atletas, mas não posso deixar de mostrar alguma discordância com tanta mudança num jogo que se previa e foi complicado, pois achei um exagero mudar o sector mais importante por completo, tirar Javi, Gaitan e Aimar, é efectuar demasiadas alterações nessa zona decisiva e poderia ter tido custos muito elevados, aliado a isso, Emerson esteve desastrado, pareceu-me afectado pelo sucedido em Basileia e Ruben Amorim, acusou muito, o imenso tempo de paragens sucessivas a que tem sido forçado, demasiadas mudanças para um jogo só que obviamente se reflectiu no rendimento da equipa.































