Antes de falar sobre o jogo em si, quero dizer que Jorge Jesus calou os psicóticos da crítica, estou certo, que caso o Benfica não tivesse chegado ao empate, o treinador estaria agora a ser alvo das mais variadas críticas e teorias por parte desses psicóticos, ou porque tirou o Nolito em vez de tirar um outro jogador, ou porque meteu Saviola fora de forma, etc, etc, os quais no alto da sua enorme sabedoria, seriam com toda a certeza, campeões só com triunfos e certamente todos eles robustos, apetece mesmo questionar, que com tantos grandes treinadores por aí perdidos, como pode o Benfica estar tanto tempo sem ganhar títulos? Da mesma forma, querer reduzir o facto do Benfica ter chegado ao 2 a 2, às saídas de Guarin e Kléber é perfeitamente redutor, porque com eles em campo também o Benfica esteve empatado e com eles em campo, já o Benfica dominava e mostrava capacidade para pelo menos empatar.
Concluindo este assunto, julgo que está na hora de alguns mestres da táctica, perceberem que nós, simples adeptos, temos uma visão do jogo demasiado simplista, sem conseguir fazer leituras tácticas e de enquadramento do próprio jogo, que obviamente, pelas aptidões adquiridas, os treinadores conseguem, hoje correu bem, dias há que as coisas não saem como o treinador as percebeu, nada mais normal, porque no fundo, o que ganha jogos, é a dinâmica, a atitude e a confiança dos jogadores nos vários momentos do jogo. Com isto, não estou a querer dizer que Jorge Jesus é perfeito ou não erra, claro que erra, como todos, mas para mim é um grande treinador e neste momento, não há nada que justifique a sua não continuidade como alguns pedem, seria um erro tremendo com consequências imprivisiveis.
PORTO 2 BENFICA 2 - Foi como disse Jorge Jesus, um clássico exemplar, que bonito seria se o futebol fosse sempre assim, civismo fora e dentro das 4 linhas, com uma ou outra pequena picardia, normal num jogo com esta adrenalina, os meus parabéns a todos os intervenientes. Apesar de logo aos 2 minutos, o Benfica ter construído o primeiro lance de alguma aflição na área portista, com Cardozo a chegar atrasado a um cruzamento de Nolito, o Benfica não entrou bem no jogo, aliás, até aos 10 minutos, em que Hulk tem uma bela iniciativa individual, a que Artur responde com uma boa defesa, ambas as equipas mostraram-se cautelosas e sem grande dinâmica ofensiva.
Esse lance mudou o jogo, com o Porto a assumir claramente o domínio do jogo, embora, exceptuando um lance em que Kléber à boca da baliza chuta, para uma defesa impressionante de Artur, os lances de perigo escasseavam, mas a verdade é que o Benfica não conseguia sair a jogar e perdia muitas bolas ainda na sua zona de construção o que é sempre perigoso.
Adivinhava-se o golo e ele surgiu, após um livre lateral, numa das muitas faltas inexistentes assinaladas contra o Benfica, Kléber desta vez não falhou, embora eu ache algo inadmissível, que seja Maxi Pereira a marcar o avançado portista, certamente com outro jogador com melhor capacidade no jogo aéreo e o dificilmente teria sido golo. Esse golo deu ainda mais confiança ao Porto, mas o facto de haver já poucos minutos para se jogar até ao intervalo foi bom para o Benfica.
Na 2ª parte, apareceu um Benfica transfigurado, sem nada a perder, tomou desde cedo as rédeas do jogo e teve a felicidade de marcar no 2º minuto desta etapa, após uma recuperação de bola de Aimar e um bela iniciativa de Nolito que assiste Cardozo que ganha a dianteira ao defesa portista e faz o empate a 1 golo.
Sinceramente não deu para perceber se esta iria ser a abordagem ao jogo do Benfica para a 2º parte, ou se foi apenas o reagir a uma desvantagem no marcador, isto porque 3 minutos depois do empate, o Porto coloca-se de novo em vantagem, após um canto à maneira curta, em que houve algum facilitismo e macieza na abordagem ao lance por parte da defesa do Benfica. Temia-se que sofrer o 2º golo logo após o empate pudesse abalar a equipa, mas não, a sua força anímica foi de louvar, o Benfica voltou a pegar no jogo e dominá-lo, embora falta-se alguma acutilância ofensiva nos últimos 30 metros, mas a verdade é que se pressionava mais alto e o Porto não conseguia sair a jogar, o que obrigava a optarem por lançamentos longos ora para Hulk, ora para Varela.
O golo do Benfica parecia ser possível e as entradas de Bruno César e principalmente de Saviola, deram à equipa os metros que faltavam, com o avançado argentino a encostar-se mais aos centrais adversários, permitindo que quer Gaitan, quer Bruno César e o próprio Cardozo começassem a ter mais espaço.
Perante este cenário, o golo acaba por surgir com alguma naturalidade, após uma jogada de insistência de Cardozo e um passe notável de Saviola a isolar Gaitan que remate fortíssimo para um golo bonito, pela beleza da jogada. Já antes do golo, o Benfica tinha ameaçado várias vezes, sendo a situação mais flagrante, um remate de Cardozo na cara de Helton que este defende com o pé.
Sinceramente, após o golo senti que o Benfica poderia partir para a vitória, mas a verdade é que era um momento do jogo de extrema importância, este caminhava para o fim e Jesus vendo como este estava partido ainda adiou a última substituição, mas acabou por fazer entrar Matic por forma a ganhar consistência no meio campo e garantir o empate
Para terminar, dizer que sinceramente não entendo as críticas quer de Fucile, quer de Vítor Pereira ao trabalho do árbitro, Cardozo nada fez que justificasse o vermelho com alegam, isto é um jogo intenso, em que os jogadores estão com os níveis de ansiedade no máximo e sinceramente, aquilo foi um chega para lá, normal e tantas e tantas vezes visto nestes jogos, sem que haja mais que um amarelo, aliás, Fucile passou o jogo a simular agressões e demonstrou ser uma pessoa sem o mínimo de carácter.
Desculpem a grosseria da linguagem, mas só apetece dizer que levou um pontapé no rabo com tal violência, que só lhe saiu merda pela boca. Efectivamente, poderia ter sido evitado um ou outro amarelo, mas isso também se impõe para o lado do Benfica, até porque a correcção do jogo não justifica a amostragem de 10 cartões amarelos.
Julgo ainda, que em certos momentos, embora sem grande influência no resultado, Jorge Sousa, assinalou muitas faltas inexistentes em zonas perigosas contra o Benfica, uma delas deu em golo, sem que esse critério fosse seguido contra o Porto, aliás, o Porto cria uma situação de grande perigo, em que se ignora uma falta sobre Emerson e em que Hulk apanha a bola bem para lá da linha de fundo, pelo que só entendo as críticas desses senhores como forma de branquearem a realidade do jogo, aliás como é timbre por aquelas bandas.
Pela positiva: A enorme capacidade psicológica que o Benfica teve reagindo sucessivamente à desvantagem no resultado e o patinho feio da equipa, Emerson, coube-lhe a tarefa mais complicada, marcar Hulk e esteve simplesmente genial.
Pela negativa: As declarações finais de Fucile e Vítor Pereira, se há jogo que não justifica grandes considerações sobre o trabalho do árbitro é este, embora com alguns erros como é normal.Arbitragem de Jorge Sousa: Pelo menos não teve lances polémicos ou de muito difícil análise, contando ainda com a colaboração dos jogadores, o que sempre ajuda e apesar da infelicidade de marcar uma falta inexistente que deu em golo, nela não se falaria se nada resultasse, ter exagerado nos amarelos, num jogo tão correto custa aceitar 10 amarelos e ter existido muita descrepância nas faltas assinaladas, 21 contra 8 do Porto é uma desequilíbrio que não me lembro de ver, pode-se considerar um trabalho positivo e fazer com que hoje se fale do jogo jogado e não de arbitragem, como é pretensão do Porto, bem visível em algumas declarações.




























